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ÍNDIA - No Topo do Mundo, pelo Paraíso Perdido do Ladakh (post 1)

Na contramão do calendário dos muitos roteiros turísticos pelo subcontinente indiano, enquanto na maior parte da Índia o clima é desfavorável - sob os efeitos das monções e de suas chuvas - há, naquela imensa geografia, muitos hiatos de pura magia. Nos meses de junho e julho, exatamente quando algumas regiões ficam intoleráveis de tão calor, são ideais para a visitação de determinados lugares muito especiais. Mais do que isso, é a única época em que você pode viajar para lá.

E que lugares são esses?

Os diversos rincões do Himalaia, a exemplo: o Ladakh.

E foi nesta época hostil para o restante do continente, e favorável para o meu destino, que nós sobrevoamos a Cordilheira do Himalaia indiano e pousamos numa clareira na ponta mais ocidental do Planalto Tibetano. No horizonte, tínhamos a cordilheira como muralha e fortaleza, esculpindo uma das mais desafiadoras geografias do planeta.

O vôo que nos levou de Nova Delhi a Leh (capital do Ladakh) foi magnífico. Voar sobre os picos de sequências de montanhas que compõem o cenário e pano de fundo do Himalaia indiano nos abre a perspectiva de um mosaico grandioso.

Sobrevoar aquela geografia imensa e viajar sobre os contrafortes acentuados das grandes altitudes é um privilégio que não cansa de maravilhar. "Sorry, no pictures, please!" - sussurra a aeromoça. Mas como resistir à tentação de fotografar aquelas paisagens mágicas?

Bem, nada como já entrar no clima do lugar e começar a exercer o desapego. Sem a câmera nas mãos, a emoção vai a pico. A sensação de pousar numa clareira entre as maiores montanhas do planeta é tão forte que dá vontade de após o pouso abraçar a tripulação inteira.

Esse deserto de elevada altitude no estado de Jammu e Kashmir, isolado do mundo durante oito meses, é um mito-lugar. O cenário é de lua, montanhas, crateras, oásis de variados verdes desafiando uma palheta de cores inebriantes, mosteiros de lamas encravados nos sopés das alturas, estátuas de Buda com pedras incrustadas, tankhas (rolos de pergaminho pintados) e murais tântricos, marcos de uma gloriosa civilização passada. Relíquias dos povos da cordilheira, à revelia do tempo e das invasões estrangeiras. Mais conhecido como a última Shangri-la, este lugar mágico é o Ladakh ou o pequeno Tibete.

Leh era exatamente como o esperado. A porta de entrada do Ladakh se prenunciou como o que viria adiante: fechada sobre si mesma, mas ainda assim bastante visitada, lembrava o Tibete de 25 anos atrás, sem a presença maciça da ocupação chinesa.



Seguindo as normas de boa aclimatização, fomos ao hotel descansar por duas horas antes de ganhar as ruas e o movimento. À entrada do nosso hotel: uma visão lateral do Palácio de Namgyal. Já nos esperavam com o gur gur, o bom chá de cevada (chá amanteigado), alívio de qualquer ressaca. Uma hora depois de uma leve refeição, começamos a inspeção da região, entre as vielas do bazar em Leh. Um pouco mais tarde, fomos ao Soma Gompa, o maior monastério na capital, onde um Lama gentilmente nos acompanhou.

Ao final da visita, o Lama se despediu afirmando: "Nós vemos amanhã..."

E eu desconfiada de que ali havia alguma coisa errada, me adiantei...



"Mas nós não vamos voltar aqui amanhã". O Lama abriu um grande sorriso, jogando a cabeça para trás. E afirmou: "Amanhã chega nossa santidade: o Dalai Lama".

Nem preciso te dizer que daquele fim de tarde até a madrugada do dia seguinte, minha equipe e eu vivemos um completo frenesi.

Nós alteramos toda a nossa programação para naturalmente estar com o povo do Ladakh à espera do Dalai e da agenda de tão nobre visitante.

Às 5h da manhã, já despertos, partimos do nosso hotel até o aeroporto internacional de Leh. Não creio que precise escrever que além de nosso pequeno grupo, apenas um outro estrangeiro aguardava como nós fora da fila muito bem demarcada, a chegada de Dalai. Éramos os ansiosos. O restante dos Ladakhis nos admiravam pacientes e ordenadamente.

Vestiam seus melhores trajes, eram só sorrisos, mas aguardavam serenamente.

A chegada, como era de se esperar, foi um rompante de energia. Vossa Santidade veio acompanhado de 2 outros veículos e saiu de um típico embaixador para parar o veículo e saudar o público.

Posso dizer que minha alegria e contentamento foi tanta que não levantei a câmera para fazer a foto. O que eu não queria mesmo era perder a cena.

Aquele dia ficou marcado na minha memória não exatamente em todos os detalhes que se seguiram, mas na emoção daquela recepção.

Recuperada e abençoada, por mais 3 dias exploramos ao redor de Leh: os monastérios de Spituk e Phyang, Thikse, Hemis. Tais como outros templos tibetanos, são centros de convívio e relacionamento nas inúmeras práticas do cotidiano abertas à experimentação dos visitantes. No reino, os monastérios também são chamados de gompas, local em que monges e monjas budistas vivem, estudam e praticam a religião. Em sua maioria, os monastérios do Ladakh situam-se em colinas e montanhas e contêm importantes obras de pinturas budistas e demais artefatos de arte. Essas obras nos ajudam muito no aprendizado da fé budista.

Mas era necessário deixar a nossa base e exploração na capital, porque o que nos aguardava era uma longa e majestosa travessia.

E, após os vistos e permissões de conduto especiais para se entrar no Vale de Suru na região de Zanskar - o vale que tem início em Kargil (na fronteira com o Paquistão) e se estende por uns 100 km na direção sudeste é um dos mais remotos e floridos do Ladakh - preparação dos provimentos especiais como alimentos, peças de reposição, condutores de veículo com experiência mecânica e especialista em certas regiões (porque um GPS é fundamental, mas um bom guia é imprescindível); e pequenos presentes para os dias de visitação às pequeninas comunidades Ladakhis, onde passaríamos pelos ritos de apresentação e encontro com as lideranças locais, ganhamos os interiores.

De Leh, seguimos para Alchi e Uleytokpo. Em Uleytokpo, tivemos duas noites. Um dia inteiro para explorar Lamayuru, o mais antigo monastério do Ladakh, fundado pelo estudante indiano Mahasiddhacarya Naropa, no século XI. E mais um dia para se deixar ficar na vila de Temasgam, situada em um dos mais férteis vales do reino, serviu como capital do antigo reino Ladakh no século XV.

A rodovia que estávamos percorrendo se mantém acessível por apenas três meses, pois no restante do tempo é bloqueada pelo gelo. E, assim, o Ladakh torna a mergulhar na sua impenetrabilidade. 

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