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A Saga do romance entre o Rei Salomão e a Rainha de Sabá (Post 01)

Atualizado: 13 de Ago de 2019

O Iêmen por ele mesmo

A primeira vez que nossos destinos se cruzaram, eu estava emaranhada nos fios da seda. Não propriamente com o mais cintilante e sofisticado de todos os tecidos jamais desenvolvidos, mas em busca daquilo que dele tem se dito: o segredo mais bem guardado da história; 2000 anos de monopólio chinês. Mais tarde, descobriria que, além da seda, a grande rota encobriria muitos outros segredos e mitos. 

Por anos viajando nos caminhos das principais rotas de algumas das mais cobiçadas mercadorias, concluo que o que procuro reviver e revisitar não é a majestade da seda, da porcelana, do vidro, da púrpura, da pimenta, do marfim, da mirra ou do incenso, mas, sobretudo, a rota do encontro, do consenso possível.

Para vestir o luxo de imperadores, clérigos, nobres e mais altas autoridades do Senado, assim como servir de mortalha aos poderosos no longo transporte de suas almas à posteridade, a seda, mais do que qualquer outro elemento, uniu o esforço de grandes impérios da antigüidade na garantia de seus interesses de comércio.

Em sua defesa, erigiam-se muralhas, deslocavam-se contingentes protegendo as caravanas, "verdadeiros reinos em movimento", e combatia-se ferozmente a pirataria. Pela seda, era preciso contornar os muitos obstáculos da rota via Ásia Central, como os bárbaros e suas pilhagens, e os persas que se faziam pagar muito caro no papel de intermediários.

À procura de outros caminhos, os homens do ocidente foram aos mares. Não antes de descobrir as monções, por volta das primeiras décadas da era cristã, e de como utilizar as correntes de vento a favor da navegação, coisa que os marinheiros indianos já sabiam há muito tempo.


Nascia a rota marítima da seda

Os navegadores do ocidente precisaram enfrentar os árabes que dominavam o comércio costeiro do mar vermelho e transpor corajosamente o Bale el Mandeb, a porta dos prantos, como era mais freqüentemente conhecido o estreito, antes de sair em mar aberto na rota do Índico até os portos da Índia.


Do Oriente, as mercadorias, a partir do século I, partiam da costa meridional da China, na baía de Guanzhou, contornavam a península Indochina, atravessando o estreito de Malaca para então subir a Foz do Ganges, quando então, as mercadorias seriam transportadas por terra aos portos da costa ocidental.

Entretanto, para ambos, num dado momento, era inevitável enfrentar as costas inóspitas e as praias escaldantes do sul da península arábica, para o abastecimento de águas e víveres. Foi neste preciso momento que os encontrei pela primeira vez: Os Sabeus - no Vale de Hadramaout.


De acordo com a lenda persa, Hadramaout significa recinto da morte, onde só os Sabeus, a tribo eleita, era capaz de ingressar, transpondo toda a sorte de perigos, para ali ir buscar franquincenso, o mais fino dos incensos, uma substância rara que goteja em forma de pérolas e que não é outra coisa senão a seiva de uma árvore que ao ter sua casca cortada jorra à superfície. A seiva deve permanecer na casca ainda por duas semanas até que, exposta ao ar, se cristaliza e pode ser coletada.


De Hadramaout, os reis magos do oriente foram buscar a mirra, o ouro e o incenso para presentear o predestinado: Jesus, o Cristo.


O incenso cercado de mistérios era imprescindível e indispensável em todos os templos. Onde quer que houvesse um deus para ser honrado, um ambiente a ser purificado e um rito sagrado, ele estava presente. Revestido do poder de cura, intrinsecamente atrelado às órbitas dos ritos mágicos e religiosos, o franquincenso era monopólio dos Sabeus. Temidos e raras vezes desafiados, tinham o domínio da mercadoria e da rota.

Eu havia ido, exatamente, buscar na Etiópia a herança sabea, um passado em comum, as piras de pedra de Yeha, para queimar o incenso e suas inscrições, as estrelas de Aksum com o símbolo da lua crescente encimada pelo disco solar, símbolo das divindades trazidas da Arábia, o reservatório de água da rainha de Sabá.

Mas afinal quem eram os Sabeus?


A primeira vez fui encontrá-los nas terras altas etíopes, imortalizados no Kebra Negast, ou Glória dos reis, livro escrito no início do século XIV, mas cujas histórias datam de tempos muito anteriores.

Kebra Negast conta que Sabá soubera da grande sabedoria do rei dos judeus pelos relatos de um rico comerciante, Tamarim. De tanto ouvir falar, ela apaixona-se por Salomão sem nunca tê-lo visto e resolve partir ao encontro dele. 

Como a minha viagem se dera a partir das terras altas etíopes, a história ali contada, dizia que a rainha partiu das proximidades do grande reino onde ela vivia: Axum ou Aksum, localizado na parte ocidental do planalto de Tigre, numa área de fácil acesso tanto ao Nilo quanto ao mar Vermelho. De lá, ela seguiu até Jerusalém, levando consigo um grande contingente de homens, mulheres, camelos e muitas outras riquezas. Ao chegar ao reino de Salomão, ela foi recebida com pompas e júbilo e por ali permaneceu por sete meses, quando, enfim, decidiu que já era tempo de regressar.

O rei Salomão, por sua vez, interpretou a visita da rainha de Sabá como desígnio de seu Deus, desejoso de que, através daquela jovem impetuosa, firme de caráter e bela mulher, Salomão concebesse um filho, para a expansão do seu reino e seus descendentes a terras muito distantes.

Antes da partida da rainha, o rei preparou a armadilha para seduzi-la. Pediu que pernoitasse no seu palácio. Ela consentiu, mas sob a condição de que ele não usasse a força contra a sua virtude. Salomão aquiesceu, mas alertou... Ele manteria a palavra, desde que a rainha não tocasse em nada que lhe pertencesse.

Assim, Salomão ordenou que a refeição palaciana fosse preparada excessivamente acondimentada. Além disso, antes de se recolher, ordenou que fosse colocada uma garrafa de água vazia no leito de Sabá e outra cheia em seu leito, vizinho ao cômodo que hospedaria a rainha.

Á noite, a rainha, sentindo muita sede, levantou-se e foi beber água da garrafa que estava em seu leito, mas o encontro vazio e então, foi ao cômodo vizinho que era do rei para beber água. Ao tocar a botelha, Salomão lhe agarrou os punhos e lhe recordou as condições da palavra empenhada. A rainha cedeu.

Do amor de Salomão e da rainha de Sabá nasceu um menino cujo nome é Menelique. Dado uma certa idade, Menelique desejou conhecer o pai. A rainha de Sabá o envia a Jerusalém, e dessa vez, pediu ao Rei Salomão que o sagrasse Rei da Etiópia.


Continua no próximo post. 

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