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O FESTIVAL DO GAWAI DAYAK EM SARAWAK E SABAH – BORNÉU


É sempre instigante acompanhar os movimentos de pequenas populações diante das mudanças rápidas que ocorrem em seus territórios, em suas vidas e em seus hábitos cotidianos; seja o novo revestido pelo progresso, pela presença da ocupação estrangeira ou pelo trânsito destas novas caravanas de turistas que hoje chegam aos pontos mais distantes do planeta.

Fico feliz, por exemplo, ao revisitar a China e perceber que, no imenso canteiro de obras em que se transformou o país, se os casarios dos centros antigos hoje estão espremidos pela arquitetura contemporânea, as vestimentas chinesas tradicionais, que estiveram sumidas, estão novamente nas praças e avenidas. Muitíssimo em voga, substituindo os jeans e seus adereços.

No Borneo Malaio – pequena faixa longitudinal entremeada pelo sultanato de Brunei – a situação não é diferente. A começar pelo fato de que lá essa denominação será imediatamente corrigida: ao invés de Borneo Malaio, Sarawak e Sabah.


Dikir barat é uma forma musical, nativa da Península Malaia, que envolve cantar em grupos - geralmente em um ambiente competitivo com acompanhamento instrumental. O governo da Malásia hoje promove ativamente como uma parte importante da cultura nacional da Malásia


Corrijo rapidamente a referencia à menor parte da Malásia, dela tão distinta e com tanta sede de identidade. Houve um tempo em que, utilizando um provérbio popular, o Malaio se "escondia na casca do coco". Imagine, então, as centenas de grupos étnicos que habitam os estados de Sarawak e Sabah, os quais os primeiros europeus decidiram para facilitar colocar em dois grandes sacos de gato: os Land Dayak e os Sea Dayak. Os primeiros a habitar as planícies, e os segundos, os bancos e córregos dos muitos rios. Em Sarawak, os Iban respondem pelo maior grupo étnico, com mais de 395 mil habitantes. Outro grupo majoritário é o dos Bidayuh, em torno de 107 mil pessoas. Há também outros grupos menores: Kenyah; Kayan, Kelabit, Kajang, Bisaya e Punan. Reunidos, representam 5% da população total de Kuching, capital do estado de Sarawak.


Sarawak e Sabah já pertenceram ao sultanato de Brunei, às forças do império britânico e foram causa de litígio com as Filipinas. Agora, finalmente, parecem estar a caminho de serem de si mesmas, somando as diferenças: malaias. As autoridades do governo, resolveram compilar as suas 2 caras metades, inusitado era o fato de que a data havia sido combinada. Agora os rituais ancestrais constavam da programação oficial de um país disposto a perceber e conviver com as suas muitas minorias étnicas.

As caras metades: uma sofisticada, disciplinada, a Meca do Islã repaginado. Outra, o cáos tropical, os ritos sagrados, os trajes tradicionais, as danças rituais.

Nossa visita a Sarawak começou por Kuching. Lá, encontramos o afã da vegetação, a exuberância dos rios, as casas comunais e os Dayaks.

Em outros tempos, era preciso esperar por meses um convite dos chefes das aldeias para que um estrangeiro pudesse ingressar neste espaço comunal das "long houses" as casas comunais.


Em Sarawak, as casas comunais se constróem sobre palafitas, feitas geralmente de madeira. Nelas, as paredes de árvores e o solo de tábuas de madeira se unem umas às outras.

Uma arquitetura voltada para a oferecer a seus moradores proteção contra animais selvagens e inimigos das proximidades, assim como contra as subidas das marés, mas também é um centro ritual.

Agora, poderíamos visitá-los numa ocasião especial e peculiar: o festival da colheita do arroz. Gawai significa festival na língua local. Há alguns deles, como o festival dos antepassados, da cura dos enfermos, mas o do plantio e da colheita de arroz é referencial. Afinal, na Ásia em geral é o arroz o sustento principal.


Kuching estava debaixo de um calor tropical. Suávamos muito! Porém, logo o calor se abrandaria diante do calçadão no coração da cidade, uma longa avenida que circunda o rio Sarawak, onde o vento encontra território livre para circular; e nós, turistas, encontramos hotelaria, bons cafés, boa musica, excelentes restaurantes e muitas lojas, antigos edifícios de belas fachadas onde se vende de tudo que se produz na Indonésia. O centro de Kuching é petit, o termo em francês é adequado porque nele sobra chame e bom gosto.

Não é que Kuching continuava sossegada? Inspirando a confiança de que ali o ritmo do povo era suave. As ruas e vielas laterais e o numero de turistas é ainda reduzido.

Entusiasmados, não resistimos a navegar no rio. Contratamos no píer uma barca que sairia. "Em quanto tempo?", pergunto. Tão logo nosso pequeno grupo de cinco pessoas entrasse a bordo. Tempo suficiente para providenciarmos algumas garrafas de água mineral. Subimos ao deck.

Vento bom, velocidade ideal para olhar a vida passar nos Kampungs (aldeias) à beira do rio, tiramos as fotos da belíssima luz que a cidade irradia no pôr do sol e uma boa cochilada.

No dia seguinte, bem cedo, tínhamos agendado a visita à Ana Raiz, a primeira casa-comunal. Embora, muito próxima à cidade de Kuching e a seus encantos, Ana Raiz me atraía em especial. Como estaria afetada a comunidade, diante da determinação instituída pelo governo da instrução obrigatória, levando todas as crianças e adolescentes à escola e, em muitas localidades, deixando-as em estabelecimentos especiais durante toda a semana, para só devolvê-los aos pais e a comunidade nos fins de semana ou feriados? Através de Ana Raiz poderíamos imaginar o que nos esperava nas mais longínquas e distantes casas comunais.

Ana Raiz, estava bem bonita, e a visita foi excelente. O tipo de Kampung de Ana Raiz já sofreu várias modificações, entretanto mantêm boa parte da estrutura apoiada sobre um largo corredor de bambu trançado, com os bilik (unidades individuais) apoiadas em estacas. Algumas estenderam o terreno individual que havia sido ampliado. Porém, com o calendário ajustado, os filhos e parentes estavam todos presentes. A casa comunal de Ana Raiz celebrava a presença dos ausentes e, verdadeiramente feliz, compartilhava o cerimonial com as visitas estrangeiras.


Pedimos licença e entramos numa varanda cuja mesa de oferendas estava sendo preparada. As oferendas eram do estilo malaio: rendang ayan (frango), rendang de carne de ave e bovina e o delicioso arroz pegajoso. Muito mais gostoso quando saboreado com a mão direita sob a forma de uma concha.


Fomos logo servidos. Não que estivéssemos com fome, mas o cheiro e o convite eram irrecusáveis. Mostramos que tínhamos intimidade em comer com as mãos. E, exclamávamos várias vezes: delicioso, delicioso. Não por obrigação, mas por gosto.

Então, vieram os copos e o Tauak. Uma bebida fortíssima a base de arroz. A cachaça deles.


Edwin, nosso guia, animado com a nossa participação, nos orientou naquilo que seria imprescindível não só para aquela visita, mas para todo período do festival, "se não quiserem mais o vinho, então coloquem dois dedos sobre as bordas do copo e levem os dedos aos lábios. Isto significa estar satisfeito.




Naquele fim de dia, nós repetiríamos o gesto várias vezes. Ao fim do festival, nos outros próximos dias, alongávamos o ritual com muitos obrigadas, acenos de cabeça, mão no coração. Servia um pouco de tudo para deixar nossos anfitriões decididamente convencidos de que para nós era suficiente. Aliás, mais do que suficiente.



O Gawai relacionado ao cultivo e a colheita de arroz tem origens muito antigas e requer uma série de procedimentos para que os espíritos garantam uma boa colheita. Obter a provação dos espíritos e seguir seus conselhos é fundamental. Para isso, os anciões da aldeia se reúnem e, durante algum tempo, processam uma série de cantos rituais acompanhados de danças especiais, ações inicias necessárias para os procedimentos posteriores: os homens deixam a casa das orações e, diante de uma plataforma especialmente erigida para a ocasião ou próxima à nascente dos rios, iniciam os rituais de comunicação com os espíritos simongi podi.


Quem Leva: Sztajn2go

Para ir mais longe: marcia@sztajn2go. com.br

Tel: +(5511) 96936-1234


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