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Os segredos maıs bem guardados dos BALCÃS



Albânia, Kosovo e Macedônia são países agraciados com uma beleza inesperada e arrebatadora. Lagos e lagoas de azuis imaculados, antigas cidades mediterrâneas, charmosas villas - entre elas, algumas declaradas como Patrimônio Mundial da Unesco -, bazares otomanos, bosques de olivas e pinheiros que se alinham nas colinas mais íngremes das áreas rurais. Montanhas dramáticas rasgando os cenários e, com elas, o melhor laço e arremate: os Mares Jônico e Adriático, que são somente a ponta do iceberg.

Entretanto, nem sempre a região em que se encontram, os Balcãs, foi tão romanticamente descrita. Kosovo, por exemplo, já foi defnido como sendo um país à porta da Europa. Assim, no imaginário ocidental, Kosovo não estava na Europa, embora nunca tenha estado na Ásia.

Na Península Balcânica foram agrupados aqueles países que separavam as terras de uma bem ordenada Europa daquela que não o era. E você sabe quando o termo Península Balcânica surgiu pela rimeira vez? Em 1914, com o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em Sarajevo, desestabilizando a Europa e dando origem à Primeira Guerra Mundial.

Mas, afnal, onde realmente se situam os Balcãs? É o jornalista inglês, Misha Glenny, que, em seu livro The Balkans Nationalism - War and The Great Powers, esclarece para começo de conversa essa controvérsia: "Península Balcânica, na realidade, é um termo inexato. Descrita pelo geógrafo Johann August Zeune pela primeira vez em 1808, foi confgurada sob um equívoco de longa data de que a Cordilheira Balcânica, a espinha dorsal da Bulgária atual, seguia ininterrupta desde o Mar Negro ao Mar Adriático - o que não é o certo, dando margem a tantos preconceitos e desentendimentos..."

Para Glenny, os seguintes países são pertencentes ao núcleo central: Grécia Continental, Sérvia, Croácia, Romênia, Turquia (parte europeia), Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Macedônia e Albânia. Outros que na medida impactam nessas áreas e são territórios periféricos: Eslovênia, Hungria, Moldávia, Anatólia e Chipre.

Então, depois de entendermos melhor a região onde se encontram localizados, resta-me convidar você a conhecer esses que são os segredos mais bem guardados dos Balcãs: Albânia, Kosovo e Macedônia.



A L BÂ N I A

Nós entramos pela Albânia, um lugar que você vai se apaixonar de cara e se perguntar como é que um país com tantos atrativos ainda hoje pode ser tão desconhecido? E a resposta é que, entre os países que compunham a zona de influência (maior ou menor) da ex-República Soviética, a Albânia teve o mais longo e brutal regime comunista, especialmente no sentido de total isolamento.

Enver Halil Hoxha (1908-1985) serviu como presidente e "camarada supremo" por quatro décadas, e permaneceu como secretário do Comitê Central do Partido do Trabalho da Albânia até a sua morte. Hoxha rompeu relações com a Iugoslávia de Tito em 1948, aliando-se à União Soviética de Stalin, o que despertou a ira dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Em 1961, rompeu com a União Soviética e, por fm, após se alinhar com a China maoísta no mesmo ano, também rompeu essa aliança em 1976.

Foram esses desafetos e alianças desfeitas que ensejaram o pânico do ditador de um possível ataque por parte das potências antes aliadas. Assim, numa política defensiva, mandou construir 60 mil casamatas de concreto invioláveis. Muitas dessas estruturas ainda são vistas em todo o país, mas não se deixe iludir, há muito mais para ser explorado...

Nós deixamos a alegre, muito arborizada e bem projetada capital da Albânia, Tirana, e fomos até Koman, onde embarcamos em uma viagem de 2h em balsa para Fierza, na região de Tropoja que faz fronteira com Kosovo. A construção de uma estação hidroelétrica no Rio Drin, o maior da Albânia, criou o lago artifcial de Koman com água de cor verde opala e cercado pelas altas montanhas rochosas.

Após sair da balsa, uma viagem de 2h em veículo, em curvas sinuosas, nos levou ao Vale Valbona, aninhado nos imponentes Alpes albaneses. O lugar, onde fzemos uma caminhada, é soberbo, com inúmeras montanhas que atingem uma altura de mais de 2.000 metros. A cordilheira é coberta por florestas de carvalhos e de faias, enquanto, no topo, há pastagens alpinas.

De Valbona, são apenas 3h em veículo até Prizren, em Kosovo, após cruzarmos uma amistosa fronteira que não fca muito distante. E, então, chegamos neste que é o país mais jovem da Europa, mas com uma longa e dramática história.



KOSOVO

Em momento algum você vai sentir na atmosfera do lugar algo que se reporte à guerra com a Sérvia e o que se seguiu em termos de limpeza étnica. Naturalmente, existem a memória e os monumentos a esse período. Vale lembrar que a Sérvia não reconhece a independência de Kosovo e considera esse como sendo território sérvio.

Pode-se dizer que o Kosovo independente é a cereja do bolo dos Balcãs. As oscilações do fluxo e refluxo do islamismo e do cristianismo ortodoxo deixaram um legado e tanto. E o mosteiro Visoki de Decani, perto de Peja, o primeiro de nossa visita, é a prova disso. Fizemos uma parada no Complexo Monástico de Decani, considerada a maior igreja medieval dos Balcãs com sua vasta coleção de afrescos belamente conservados e merecidamente reconhecidos pela Unesco.

Em seguida, fomos para Gjakova (Dakovica), cujo Grande Bazar é considerado o mais antigo de Kosovo, também conhecido como Çarshi, repleto de antigas casas e lojas, uma casa de banho turco e a Mesquita Hadum Aga do século 16. E dali seguimos para Prizren, reconhecida como a capital cultural de Kosovo e nossa base de exploração pelos próximos dias.

Prizren é uma cidade histórica, famosa por sua arte e artesanato - é também o farol da criatividade do país -, o que foi se tornando cada vez mais evidente conforme nos aproximamos do centro com suas ruas de paralelepípedos lindamente trabalhadas, lojas, bares e restaurantes construídos em arquitetura tipicamente otomana.

A cidade oferece excepcionais monumentos religiosos que representam diferentes crenças, sendo a Igreja Ortodoxa Nossa Senhora de Ljevis, provavelmente do século 14, o mais importante, incluído na lista da Unesco em 2006 de proteção aos monumentos medievais de Kosovo.

Com tanto para explorar e querendo quebrar o ritmo do dia e em meio aos patrimônios históricos do lugar, a pausa tão  esperada quanto inusitada foi em Rahovec, quando visitamos a mais antiga vinícola de Kosovo, Bodrumi I Vjeter, para uma degustação de seus melhores vinhos e almoço no mesmo local.

Nos outros dias, sempre hospedados em Prizren, viajamos de carro para o belo Monastério Ortodoxo de Gracanica, situado a poucos quilômetros do sudeste de Pristina e declarado em 1990 como Patrimônio Mundial da Unesco. E, fnalmente, chegamos à capital do país: Pristina, provinciana, mas sofsticada e descolada, com um clima contagiante de otimismo e empreendedorismo.

Para quem ama café, chega-se ao paraíso. Na sua visita, faça uma parada em um dos cafés de Pristina. Os locais entendem e fazem muito bem o macchiato. 

Passeamos a pé para Explorar suas principais atrações no centro e entorno, incluindo a Alameda Madre Tereza, o Monumento a Scanderbeg (herói nacional albanês), a Biblioteca Nacional com sua arquitetura única no mundo, a Catedral da Abençoada Madre Tereza, a Torre do Relógio, os prédios públicos do governo de Kosovo e o monumento "Recém-Nascido" (New Born,) que está se tornando o símbolo deste novo estado. Terminamos nossa visita com um passeio pelo Museu Etnográfco, localizado em uma casa com arquitetura tipicamente otomana, graciosamente provida com artefatos originais que testemunham as tradições.



M AC E D Ô N I A

Saímos de Prizren em veículo (2h30) para entrarmos em Skopje, a capital da República da Macedônia, situada no Vale de Escópia.

Para os macedônios, a história da região é complexa demais para abordagens gerais, mas começa certa e orgulhosamente pela poderosa dinastia do rei Filipe II (359-336 a.C.), que dominou grandes cidades-estados gregas e foi o pai de Alexandre, o Grande.

Como destino turístico, a Macedônia é um desbunde. Atraente, seja pelos seus monumentos históricos e culturais, seja pelas suas cidades arqueológicas, é também um moderno centro cultural, político e econômico.

Entre tantos monumentos de interesse, visitamos o Museu Arqueológico; a casa memorial de Madre Tereza (Agnes Gonxha Bojaxhiu, vencedora do prêmio Nobel da Paz em 1979 e nascida em Escópia em 1910); a Praça Macedônia com vários monumentos como a estátua monumental de Alexandre, o Grande; a Ponte de Pedra (Stone Bridge); o Antigo Bazar; a Igreja de Sveti Spas, com sua magnífca iconóstase esculpida em madeira (século 19); o Daut Pasha Hammam, atualmente uma galeria de arte e um dos maiores e mais refnados exemplos urbanos da arquitetura otomana dos Balcãs; e a Mesquita Mustafa Pasha (século 15).

Como a base de quase toda nossa exploração e acomodação na Macedônia, com exceção de Ocrida, foi em Skopje, partíamos pela manhã para explorar os interesses nas regiões do entorno e retornávamos ao fm do dia. De se fazer menção em Totovo, a Mesquita Pintada (The Painted Mosque), próxima ao Rio Pena na parte antiga da cidade, representa o estilo inicial da arquitetura otomana. E a visita que fzemos em seguida ao cânion Matka, um dos destinos naturais mais inspiradores entre os amantes da natureza.

Também na Macedônia, desfrutamos a visita à Vinícola Popova Kula, que é certamente uma das histórias de sucesso da vinicultura da Macedônia. Ali, às vezes, é possível experimentar variedades de vinho diretamente dos tanques de fermentação. Se você não aprecia vinhos ou nem mesmo bebe, não tem importância, porque são belíssimas as paisagens. 

No roteiro na Macedônia, não podia faltar Ocrida (Ohrid), um Patrimônio Mundial da Unesco e destaque em qualquer viagem para o país. De lá, dirigimos em veículo ao píer e, em uma embarcação, partimos para a visita ao Monastério de St. Naum, que é um dos locais de peregrinação mais bonitos da Macedônia.



DE VOLTA À ALBÂNIA

De Ocrida, partimos em veículo num percurso de 1h30 para Korca, reentrando na Albânia do Sul. No caminho fzemos uma parada na região Pogradec, às margens do Lago Ocrida, na villa de Tushemisht, onde está localizada a antiga "villa" de pescaria de Enver Hoxha. Caminhamos pela natureza em volta da "villa" e dormimos em Korca para, no dia seguinte, viajar durante 4h em uma das mais espetaculares estradas da Albânia. Uma combinação de desfladeiros, montanhas, campos coloridos, rios de cânions e florestas que nos acompanhou por essa longa estrada, mas de beleza natural surpreendente.

Viajamos para Permet através dos maravilhosos campos de Erseka, pelas florestas de Leskovik, por meio do vale do Rio Vjosa. Após um almoço especial e com tradição da culinária local em Permet, seguimos para Gjirokastra através do desfladeiro de Kelcyra. Nossos últimos destinos na Albânia, fechando com chave de ouro, Gjirokastra e Berati, são classifcadas pela Unesco como Patrimônio Mundial, com ruas e calçadas com pedras de calcário e xisto, casas com telhados de ardósia e vistas do Vale de Drina.

Em Gjirokastra, visitamos o castelo e o antigo bazar. Em Berati, uma das cidades mais visitadas e mais características da Albânia, em razão de sua arquitetura única, visitamos o Castelo de Berati, local de particular interesse, uma vez que as pessoas ainda moram dentro dele em casas tradicionais, assim como viveram os seus ancestrais por séculos. Protegida pelo Monte Tomorri, esta peculiar cidade-museu está localizada em um cenário único na íngreme colina. É um dos raros exemplos da bem conservada arquitetura otomana. No entanto, o que torna Berati realmente única é o seu conjunto de casas brancas otomanas construídas em terraços íngremes ganhando o título de "cidade das mil janelas".

Ao fm da viagem, regressamos para Tirana para embarcarmos no voo que nos trouxe de volta para casa. Mas a Albânia, Kosovo e Macedônia, que nós fomos conferir, foi crescendo aos nossos olhos e aos nossos interesses. Pela diversidade, beleza e simplicidade, certamente não será a nossa última viagem.

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Unknown Track - Unknown Artist
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