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Passagem para a Índia (Post 02)



Para ajudar o olhar a perceber a riqueza e sofisticação das deidades hinduístas e aprender um pouco que seja desta fé antes da viagem, recomendo a leitura de "Índia: um olhar amoroso", de Jean Claude Carrière. É aconselhável conhecer alguns dos seus símbolos, atributos, veículos e mitos. Do contrário, caímos no engano simplista de imaginar que os hinduístas sejam tão tolos a ponto de acreditar em um deus que se afigura com cabeça de elefante e corpo de um homem avantajado, como se essa deidade fosse, de fato, o que a imagem é e não aquilo que a imagem representa.



Na Coreia, o kimchi é amplamente considerado como tendo um valor nutricional tremendo, aparentemente ajudando na digestão e estimulando o sistema imunológico – alguns até mesmo acreditam que pode prevenir o câncer.


Os coreanos amam tanto este prato que comem cerca de 18 kg de kimchi por pessoa por ano.


Mas quem foi que começou a fermentar vegetais dessa maneira? Coreia ou China?


Made in China está em todo lugar em muitas das mais sensacionais invenções da China (comprovadas ou não) e, mais uma vez, o crédito desta vez também vai para a China. No Museu Kimchi da Coréia, eles dão crédito à criação do prato para a China. A placa no museu diz: "O registro mais antigo de vegetais salgados, que é a origem do kimchi, foi encontrado em uma antiga literatura chinesa, O Livro de Odes."


Nesta coleção de poesia chinesa, do século XI ao VII a.C, está a primeira referência registrada a “jeo”, o caractere chinês para vegetais salgados. O Museu Kimchi de Seul premia os chineses com todos os elogios por sua criação. Mas os curadores do museu são rápidos em fazer uma distinção clara entre o que os chineses criaram e a versão mais complexa e saborosa de kimchi que se tornou popular em todo o mundo. Este último estilo, eles argumentam, foi obra de coreanos. É também durante esse período que os primeiros registros foram encontrados de coreanos cultivando gochu, a forma coreana de pimenta malagueta. Nos séculos seguintes, essas pimentas se tornaram a chave do kimchi, e hoje em dia é difícil imaginar o prato sem seu toque picante.





Ganesha, a mim parece, é o semideus mais amado ou o mais popular, talvez porque uma das minhas lendas favoritas diz respeito à sua figura, talvez porque a sua montaria ou o seu veículo seja um rato, ou talvez porque ele adore doces como eu. Seja como for, Ganesha é muito popular aonde quer que você vá.


Qual seria a lenda?



A que mais gosto é que Parvati, sua consorte, descobriu-se grávida no mesmo momento que Shiva partiria para mais uma de suas guerras. Parvati, temerosa de que Shiva fosse à luta preocupado com o seu estado, silenciou o fato.


Shiva partiu em uma luta que se arrastou por anos. E, nesse sentido, Parvati criou Ganesha sozinha e sem a presença do pai. Parvati dedicou todo o amor que sentia pela sua criação a Ganesha.


O rapaz estava bem crescido e ambos eram unhas e dentes. Ganesha protegia a mãe de tudo e de todos e, filho de quem era, também defendia a sua cidade.


Um dia, Shiva e seu exército, em retorno, se encontraram em frente às portas da cidade. No entanto, seus homens foram barrados por um adolescente e outros tantos homens. Shiva se pôs à frente e observava a cena que lhe pareceu inusitada:


- Vocês não podem entrar aqui!


- E por que não? - inquiriu Shiva, indignado.


- Porque essas são as terras de meu pai.


Shiva, completamente fora de si diante de tal perjúrio daquela afirmação e certo de que não tinha qualquer filho na cidade, desembainhou a espada e, num golpe certeiro, decepou-lhe a cabeça.


Exausto dos meses de marcha para o retorno e de uma recepção decepcionante, seguiu diretamente para sua residência, encontrando Parvati.


Naqueles primeiros momentos, eles se entregaram à surpresa do reencontro depois de tantos anos e se abraçaram demoradamente, até que Parvati encarou Shiva docemente e perguntou-lhe:


- Já conhecestes o teu filho à entrada da cidade?


Shiva com os olhos arregalados balbuciava...


- Que filho???


Parvati, então, contou-lhe sobre a gravidez escondida e sobre o nascimento de Ganesha, e Shiva, tomado de enorme pavor, narra o ocorrido.


Sabe o amor de mãe diante do seu único filho? Parvati enlouqueceu os céus com seus gritos e desferiu todo o tipo de blasfêmia ao Shiva e aos deuses do panteão hinduísta, sem sobrar ninguém.


Shiva soube que precisava imediatamente remediar esse estado de coisas e saiu à procura do primeiro que lhe aparecesse para retirar a sua cabeça. Encontrou o elefante, decepou-lhe a cabeça, ordenou que trouxessem o corpo do menino às portas da cidade e, quando o corpo inerte foi posto em sua frente, uniu ao corpo do menino (agora sabendo que é seu filho) à cabeça do animal. E, a partir daí, Ganesha é visto como removedor de obstáculos.


Nos templos do sul da Índia, em Madras, Madurai, Trichi, entre outros, várias vezes observo uma coreografia própria dos fiéis de Ganesha, quando diante de sua imagem lhe prestam homenagens ou vêm pedir seus favores, interferências e soluções. Assim, as mãos reproduzem o movimento do abano das orelhas do elefante, e da boca emanam os sons do animal. Saúdam, assim, a deidade. Esta associação, entre a forma do animal, sua destreza e sensibilidade em usar com delicadeza a força própria de sua natureza e o conhecimento que ao animal é atribuído, é essa energia que os fiéis procuram na entidade.


O balé daquela coreografia é sensacional!



Mesmo dentro de um roteiro clássico, o que torna a experiência de uma viagem à Índia diversa de muitas outras é a seleção das atividades e a ordem em que elas são apresentadas. Colher aqui e ali o momento de cada uma das cidades visitadas, revelando no conjunto o que de melhor existe nela(s)... Por exemplo, caminhar pelas ruelas do maior bazar da capital, Chandy Chowk, em vez de só passear no riquixá; ou comprar dos "wallahs chais", aqueles que vendem a bebida preferida - o país consome 837 mil toneladas por ano; ter tempo para ter tempo na Índia; descer do riquixá e provar o que está sendo vendido nas ruas; entrar nas lojas que comercializam os condimentos; comprar o sal negro...








Saímos dali e, mais tarde, seguimos para o almoço em um dos mais encantadores endereços da capital, que ainda é desconhecido dos estrangeiros, mas uma revelação dos hábitos locais: uma pequena vila artesanal - Hauz Khas Village, com lojas modernas e estilizadas, de muito bom gosto. Diz-se que o local reuniu expatriados que diversificaram o conceito das vestimentas, as técnicas de tecelagem e as modelagens tradicionais. O resultado é mais para o nosso gosto e para o nosso bolso. A atmosfera completa o carisma do ambiente. Tem bons cafés e ótimos restaurantes - o Naivedyam, especializado na culinária do sul da Índia, recomendo. No mesmo local, encontramos mais afastadas, entre os jardins, as ruínas de estruturas notáveis, ​​construídas por Firuz Shah, entre 1352 e 1354 d.C. Este governou de sua nova cidade chamada de Firozabad - a quinta cidade de Delhi, como a Madrasa (escola islâmica de aprendizagem). Nos deixamos ficar no lugar, encantados com as mais diversas expressões de arte.


Ao fim da tarde, com o pôr do sol, entramos no templo de Swaminarayan Akshardham, entre os maiores templos hindus do mundo. De fato, uma obra de arte com uma pujança e fôlego arquitetônico - construído há pouco mais de 10 anos, foi aberto ao público em 2005, e contou, entre o exército de artesãos, com uma legião de mais de 3 mil voluntários, ou seja, uma força tarefa de 11 mil pessoas. O resultado é surpreendente. A obra pretende e consegue com maestria revelar a diversidade e a magnificência tanto da arquitetura indiana como da herança, espiritualidade e religiosidade dos valores hinduístas.


Um pouco diferente dos templos na Índia, Swaminarayan Akshardham é igualmente um lugar para a prática religiosa, museu interativo e parque temático. O 'Hall de Valores' retrata os valores de Swaminarayan, onde presta-se um tributo a Bhagwan Swaminarayan e aos valores que regeram sua vida: uma apresentação artística tridimensional de cenas da vida real.


O templo é totalmente composto por arenito rosa e mármore branco (as cores de Jaipur, capital do Rajastão), símbolo da máxima pureza e da paz.


É um desses RAROS momentos nas muitas cidades indianas em que organizamos o caos da vida cotidiana. Escapamos dos ruídos e inúmeras distrações das ruas, podendo desfrutar de um sentido de completude.


Para mim, o símbolo desses pequenos e raros encontros está no maior cartão postal do país. Sim, lá mesmo, no Taj Mahal!




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Créditos Fotográficos: arquivo pessoal Marcia Sztajn, Wania Concessa, Prayash Giria e fotos institucionais.

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